Tirei meu diploma da pasta que estava dentro do quartinho de bagunça.
Tenho o costume de guardar muito bem guardado tudo o que eu amo. E isso serve pra paixões, histórias, amigos e diplomas.
Há 3 anos me formei no curso que me rege como ser humano. A psicologia. Sou da escuta de nascença. Sendo assim, como de costume, guardei bem guardado e segui como se não fosse algo que me desse uma nomeclatura, mas algo que naturalmente fosse quem eu sou.
Em julho, olhei pros 29 anos, antes de completar e me assustei : COMO FAREI 30 ANOS SEM COLOCAR EM PRÁTICA O QUE EU SOU ?
Parei no tempo. Fui pro mundo. Me assustei com o tempo. Tomei impulso e fui. Destemida mas morrendo de medo.
Tirei meu diploma da pasta guardada no quartinho de bagunça.
Agora, e por agora, meu diploma faz parte do que me arruma, não do que me bagunça. Faz sentido por ai?
Eu me achei e estou me achando. Me perdi e estou me perdendo. Deixo solto. Afirmo e pergunto.
Resolvi atender. No lugar de guardar, expor. Ouvir. Falar. ES-CRE-VER. Há quanto tempo não escrevo ?
Escrever faz parte do que estava na pasta do quartinho de bagunça.
Tirei tudo das caixas e pastas. Li e re-li. Que bom lembrar de mim. Que saudade de que eu estava de mim.
No meio da velocidade insistente e imediata do que eu estava à pouco tempo atrás, pouco sobrava pra ser eu. Das 9h às 18h, sem parar. Todo dia da semana. Foi bom. Cresci. Mas me perdi. Pouco a pouco o cinza de tanto fazer o que tinha que fazer ia manchando o degradê cor de pôr do sol de ser eu.
Tirei meu diploma da pasta guardada no quartinho da bagunça. E ele vai ficar bem na parede do meu consultório.
Deu tempo. Sempre dá tempo de começar e recomeçar.
Nay :)
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